Quando comecei a pesquisar sobre a Índia, um filme que frequentemente era citado era Mother Índia (1957), um épico cheio de simbolismos, que tornou -se uma lenda por causa das atuações fantásticas nele. Este filme foi considerado um remake de "...E o vento levou", mas as semelhanças estão mais na força da atriz principal, que é o motivo pelo qual estou escrevendo hoje, Nargis é uma das figuras mais queridas e admiradas da Índia.
Eu assisti ao filme, que está disponível na Comunidade Quero Cinema Indiano no Brasil, com a pretensão de aprender um pouco mais desse mundo mágico que é Bollywood e um
pouco mais da “Mãe” Índia, essa terra com tantas lutas e um povo tão guerreiro.
Eu sabia que era um clássico e estava super curiosa porque li muito sobre o filme e toda repercussão que teve na Índia na época ate pelos enganos como por exemplo o fato de que quase proibiram o filme porque pensaram ser baseado no livro Mother Índia de Katherine Mayo. O livro que falava do machismo, do tratamento que as mulheres da Índia têm,
antes de se casarem, por seus pais e algumas são até mortas quando nascem e
depois do casamento se tornam uma espécie de escrava. Fala também sobre os
intocáveis, os mal tratos aos animais, a sujeira das ruas, do caráter de seus políticos e destacou o
que ela chamou de sexualidade galopante dos indianos. Então esse livro foi queimado
na Índia e algumas figuras importantes escreveram criticas sobre isto,
inclusive Ghandi. As autoridades indianas pediram o roteiro do filme, quando o
diretor começou a produzi-lo, por medo de ser baseado no “maldito” livro de
Mayo, mas na verdade o diretor falou que o filme é meio que uma resposta a esse
livro, mostrando a verdadeira Índia.
Li um comentário sobre esse filme que dizia
para prestar atenção aos simbolismos, então de cara reconheci a figura da mãe
como a Índia e seus filhos como toda a sua enorme população: os filhos da Índia. Um desses filhos é Ramu (Rajendra Kumar), conformado e segue todos os
preceitos e aceita tudo, enquanto o outro é Birju, filho revoltado, não aceita
injustiças, quer aprender a ler, quer saber o porquê de tudo e desde pequeno já
se nota que ele não concorda com o que está acontecendo à sua volta e é
castigado por se rebelar a todo momento.
Imaginem que a caixa de pandora foi
aberta e tudo de ruim sai da caixinha e todas elas acontecem com essa família,
passar fome é só um detalhe. No final de todo esse drama acontece algo que eu
penso que o diretor queria dizer que com sangue, e sob sangue, a Índia cresceu e
produziu bons frutos e surgiu como uma terra que cuida melhor de seus filhos.
Nargis passa o filme todo mostrando que não basta ser mulher nesse mundo, você tem que ser mãe e se precisar passar fome para que seu filhos possam comer, que assim seja.
Tem que ser trabalhadora, dentro de casa, e fora dela também, porque somos capazes de fazermos tudo o que quisermos e, na maioria das vezes, muito melhor que muitos homens.
Não basta ser mulher, tem que ser feita do mais puro amor para lidar com a vida. Ela educa não só seus filhos, mas todos que passam em sua vida...esse poder de troca que temos e que ninguém passa por nós sem levar um pouquinho de nós e aprender algo. Aprendi muito quando parei de falar e comecei a ouvir as "gurumaas" de minhas vida..."hay que endurecerse, pero sin, perder la ternura jamás".
Adoro quando algum amigo me pergunta: "mas vocês mulheres parecem ser feitas de outra matéria, do que vocês são feitas?" Eu respondo que somos feitas do pó que são feitas as estrelas...hehehe.
Momento Pyaar
Nas gravações desse filme o set pegou fogo de verdade e a atriz Nargis correu risco de vida, e quem a salvou foi Sunil Dutt, que estava representando um dos filhos dela no filme. Ele pegou uma coberta, entrou no meio do fogaréu e tirou ela de lá sã e salva. Eles se apaixonaram na vida real e se casaram, e eu virei fã dele para sempre. Isso é que é herói.




















